Frevo – Conheça o contagiante ritmo do carnaval de Recife

Tempo de leitura: 16 minutos

 

Imagem de Passistas de Frevo
Imagem de Passistas de Frevo

O Frevo teve sua origem em Pernambuco, entre o fim do século XIX e o início do século XX, inicialmente como um ritmo carnavalesco, nascido dos maxixes, dobrados, polcas e marchinhas de carnaval.

O frevo originalmente não tem letra, é só tocado por uma banda.

Do ritmo mais rápido, das bandas de músicas marciais, surgiu a dança do frevo, nos desfiles antigos de carnaval, quando jogadores de capoeira abriam o caminho para os músicos passarem pela multidão. O frevo mistura passos de ballet, capoeira e cossacos.

O nome frevo tem origem na palavra ferver, que na pronúncia popular virou “frever”. O significado é o mesmo de fervura, ou seja, agitação, rebuliço. O termo foi usado pela primeira vez em 1908, em um Jornal chamado Pequeno.

Embora arraste multidões dançando e divertindo-se, o frevo é uma dança complexa, de passos complicados, muita improvisação, que misturam rodopios, gingados, passos miúdos, malabarismos entre outros. Os dançarinos utilizam ainda uma sombrinha colorida (aberta) enquanto dançam, demonstrando grande técnica.

Existem mais de cem passos conhecidos do frevo, sendo os mais famosos: Locomotiva, Dobradiça, Fogareiro, Capoeira, Tesoura, Mola, Ferrolho e Parafuso, entre outros.

Nos anos 30, o frevo foi dividido em três ritmos:

Frevo-de-Rua – É o frevo completamente instrumental, feito exclusivamente para dançar. A música do Frevo-de-Rua pode ter: notas agudas (frevo-coqueiro), predominância de pistões e trombones (frevo-abafo) e introdução de semicolcheias (frevo-ventania).

Frevo-de-Bloco – Originada das serenatas realizadas paralelamente ao carnaval, no início do século. A orquestra de Pau e Corda é composta de banjos, violões, cavaquinhos e recentemente vem sendo utilizado também o clarinete.

Frevo-Canção – Frevo mais lento, com algumas semelhanças em relação à marchinha carioca. É composto por uma introdução e uma parte cantada, terminando ou começando com um refrão.

Em 2012 a UNESCO proclamou o frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

 

Principais Compositores de Frevo

Capiba – Um dos mais famosos e versáteis compositores da história da música pernambucana, Capiba deixou uma obra composta de vários gêneros de música, sendo o frevo a sua maior paixão. Nasceu em 28 de outubro de 1904, na cidade de Surubim (PE). Em 1963, compõe Madeira que Cupim não Rói, canção considerada hoje como o frevo de bloco mais famoso do carnaval pernambucano. Faleceu aos 93 anos, no dia 31 de dezembro de 1997.

Nelson Ferreira – O maestro Nelson Ferreira foi o primeiro autor a ter uma marcha de bloco gravada: Borboleta não é Ave, gravada em 1923. Nascido em Bonito, no dia 09 de dezembro de 1902, compôs em 1957 o frevo de bloco Evocação Nº 1. É autor também das Evocações Nº 2 e Nº 3, além de diversos outros frevos de bloco, como Bloco da Vitória e Carnaval da Vitória, e muitos frevos de rua inesquecíveis. Faleceu em 21 de dezembro de 1976.

Edgard Moraes – Autor do frevo que inspirou a criação do Bloco da Saudade – a marcha Valores do Passado, que homenageia vinte e quatro blocos extintos do Carnaval do Recife -, Edgard Moraes foi um dos mais importantes autores do gênero do século passado, tendo deixado um legado de aproximadamente trezentas composições, entre choros, valsas e, principalmente, frevos. Nasceu no Recife, no dia 1º de novembro de 1904.

Levino Ferreira – Pernambucano, nasceu em na cidade de Bom Jardim, no dia 2 de dezembro de 1890. Inicia sua jornada pela música aos 10 anos, tocando trompa na banda local. Dono de um grande repertório de frevos de rua, em 1962 compõe seu único frevo de bloco, chamado Resposta, em réplica à marcha de bloco composta um ano antes por João Santiago, Escuta Levino. Morreu aos 70 anos, em 09 de janeiro de 1970.

Getúlio Cavalcanti – Nasceu em Camutanga a 10 de fevereiro de 1942. Compõe desde os 14 anos e teve seu primeiro contato com música carnavalesca aos 17, cantando numa orquestra de frevo de sua cidade. Em 1962, estreou como cantor na extinta TV Rádio Clube. Depois de gravar o frevo Solteirão, em 1964, afastou-se da vida artística até o lançamento triunfal de O Bom Sebastião, no carnaval de 1976. É autor de algumas das mais belas músicas do carnaval de Pernambuco como Boi Castanho e Último Regresso.

J. Michiles – Nascido em 04 de fevereiro de 1943, J. Michiles surge como compositor ainda nos anos 1960, ao vencer o concurso Uma canção para o Recife com a antológica marcha Recife, Manhã de Sol. A partir daí emplacou vários sucessos, com destaque para alguns frevos-canção imortalizados na voz de Alceu Valença, como Roda e Avisa e Diabo Louro. Compôs em homenagem ao Bloco da Saudade, entre outras, a marcha Bloco da Saudade, na qual evoca antigos compositores carnavalescos.

João Santiago – Mestre do bloco Batutas de São José, João Santiago nasceu no Recife, no dia 1º de março de 1928. Teve contato com a música ainda pequeno através do seu pai, José Felipe, que era maestro e compositor. Tocou na orquestra do bloco Inocentes e aos 17 anos passou a tocar no Batutas de São José. Dentre as suas composições estão as famosas Sabe Lá K é Isso, Hino do Batutas e Relembrando o Passado. Faleceu em 11 de novembro de 1985.

Lídio Macacão – Lídio Francisco da Silva, Lídio Macacão ou “O Conde de Guadalupe”, nasceu em Olinda, em 1892, na Rua do Amparo, esquina do Beco das Cortesias. Além de carnavalesco, era membro da Irmandade dos Martírios, da Igreja de São João. É autor de diversos frevos do Carnaval olindense, entre eles Banho no Conde; Campeão de 26, para o clube Vassourinhas de Olinda; Morcego; Música, Mulheres e Flores, considerada a obra-prima da música carnavalesca olindense; e Três da Tarde, frevo de rua que se tornou um dos hinos do carnaval de Olinda. Faleceu em 21 de março de 1961.

Clídio Nigro – Autor de vários frevos do carnaval de Olinda, entre eles o mais famoso de todos os tempos: Olinda nº 2 (Hino do Elefante), em parceria com Clóvis Vieira, que continua fazendo sucesso no carnaval da cidade. É autor ainda de Banho de Conde, em parceria com Wilson Wanderley; Casa de Caboclo; Olinda nº 1, em parceria com Clóvis Vieira; e Marim dos Caetés, em parceria com Fernando Neto. Nasceu em 1909.

Alex Caldas – Autor de um dos mais famosos e tradicionais frevos do Carnaval de Olinda: Bate bate com doce, o hino da Troça Carnavalesca Mista Pitombeira dos Quatro Cantos, tradicional agremiação carnavalesca da cidade. A música foi lançada pelo selo Mocambo, da gravadora Rozenblit na década de 1950.

Alguns frevos acabaram caindo no gosto popular e se popularizando, funcionando como verdadeiros hinos do carnaval.

Imagem de Carnaval de Pernambuco
Imagem de Carnaval de Pernambuco

Evoé, Evoé

O termo Evoé tem o significado de um brado de evocação a Baco nas orgias: eram evoés e brindes a ecoar em todo o recinto.

Grito de felicidade, de alegria; expressão de entusiasmo e exaltação.

Este frevo é considerado como uma evocação aos carnavalescos para cair na folia. É o hino de abertura do carnaval pernambucano.

O carnaval de Recife é tipicamente um carnaval de rua, onde as pessoas se fantasiam e vão atrás dos blocos que vão passando sem muita organização. O importante é cair na folia.

A letra do frevo EVOÉ, EVOÉ

Evoé, Evoé
O carnaval de Pernambuco,
É vibração, é gozo, é o suco
Graças ao frevo e à Federação
Foliões vivem o prazer
Viva o frevo original
O ideal é sorrir
E eu passo a aferir
Aderindo ao carnaval
Evoé, Evoé…
Carnaval como se faz
Nesta bela capital
Vale a pena se ver
Pois é bom de doer
É de fato o carnaval
Evoé, Evoé…
Todo aquele que negar
O prazer que irão cair
Faça o passo e verá
Que no mundo não há
Carnaval como daqui

Escute o frevo Evoé, Evoé

 

Imagem de Vassourinhas
Imagem de Vassourinhas

Vassourinhas

Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas é uma agremiação carnavalesca fundada em 1889 com o objetivo publicado de que “nos três dias de carnaval percorrerá as principais ruas desta capital, trajando com um agradável figurino aos apreciadores do festim fazendo então suas manobras nos pontos determinados“.

Fundado no bairro do Beberibe no dia 06 de Janeiro de 1889, sua instalação deu-se a 7 de fevereiro daquele ano, por um grupo que incluía o alfaiate Andrade, Carrinho, João do Carmo, Epifânio, Matias da Rocha e seu irmão Cosme (apelidado “Cabeça de Pau’).

A canção Vassourinhas foi composta em 1909, para o clube carnavalesco e desde então faz um grande sucesso nos carnavais do Recife.

Este frevo é considerado como um hino do carnaval e sempre que é tocado é impossível qualquer pernambucano não cair no passo.

A letra do frevo Vassourinhas

Se essa rua fosse minha
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas de brilhante
Pra Vassourinhas passar
Somos nós os Vassourinhas
Todos nós em borbotão
Vamos varrer a cidade
Ah! isso não, ah! isso não
Ah! reparem, meus senhores,
O pai desse pessoal
Que nos faz sair às ruas
Dando viva ao carnaval!
Bem sabeis o compromisso
Que nos leva a fazer
De mostrar nossas insígnias
E a cidade se varrer.

Escute o frevo Vassourinhas

 

Imagem do Desfile do Galo da Madrugada
Imagem do Desfile do Galo da Madrugada

Galo da Madrugada

O Galo da Madrugada é um bloco carnavalesco que sai todo sábado de carnaval do bairro de São José, um dos bairros da região central da cidade do Recife. Foi oficialmente considerado pelo Guinnes Book como o maior bloco de carnaval do mundo em 1995.

A agremiação foi criada por Enéas Freire em 1978 e surgiu na rua Padre Floriano nº 43, no bairro de São José.

Em 2011, o desfile do Clube de Máscaras Galo da Madrugada, no centro do Recife, arrastou mais de 1,7 milhões de pessoas.

Em 2012, o bloco teria, segundo fontes da própria organização, levado cerca de 2 milhões de pessoas. Em 2013, seguindo a tendência dos anos anteriores, o número de foliões aumentou e o bloco reuniu cerca de 2,3 milhões de pessoas no centro do Recife. Em 2014, o bloco teve, também segundo estimativas, 2,4 milhões de pessoas . Em 2015 o galo teve 2,5 milhões de pessoas.

O principal ritmo tocado no bloco é o frevo, mas vários outros ritmos são executados pelas dezenas de trios que cruzam a cidade animando os foliões.

Um ano após a fundação daquele que viria a ser o maior bloco de carnaval do mundo, a diretoria do Clube sentiu a necessidade de criar uma música própria cuja letra transmitisse ao folião a mensagem principal do Galo: convocar a todos, como num canto matinal, a participarem da folia que voltara às ruas do Recife.

Assim, no ano de 1979, procurado pela diretoria do clube e incumbido de realizar tal missão, o professor José Mário Chaves criou aquela que seria a música tema do maior manifestação carnavalesca do planeta. “O Hino do Galo começou com esse pedido: fazer uma música que retratasse, realmente, o que era o Galo da Madrugada e chamar o folião, mostrando que a festa começava muito cedo”, lembra o compositor.

O resultado, todos já conhecem: um clássico que ultrapassou as décadas e mantém-vivo até hoje, 33 anos após sua primeira gravação. O Hino do Galo já foi interpretado por diversos artistas pernambucanos, entre eles Alceu Valença, na voz do qual a música ficou mais conhecida.

A letra do frevo Galo da Madrugada

Ei pessoal, vem moçada
Carnaval começa no Galo da Madrugada (BIS)

A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o
Carnaval
Ei pessoal…

As donzelas estão dormindo
As cores recebendo o orvalho matinal
E o Galo da Madrugada
Já está na rua, saudando o Carnaval
Ei pessoal…

O Galo também é de briga, as esporas afiadas
E a crista é coral
E o Galo da Madrugada, já está na rua
Saudando o Carnaval
Ei pessoal…

Escute o frevo Galo da Madrugada

Imagem de Madeira do Rosarinho
Imagem de Madeira do Rosarinho

Madeira Que Cupim Não Rói

Um dos blocos carnavalesco mistos mais tradicionais do Recife, o Madeira do Rosarinho,  foi criado por Joaquim de França e um grupo de dissidentes, no dia 7 de setembro de 1926, por causa de divergências com a diretoria do antigo bloco Inocentes do Rosarinho.
Inicialmente, o grupo pensou em chamar o bloco  de gogoia, por estar reunido embaixo de uma árvore dessa espécie, mas houve um consenso de que o nome não “soava bem”. Cogitou-se então chamá-lo Madeira que Cupim não Rói, por ser a gogoia uma madeira resistente. Por fim, optou-se por Madeira do Rosarinho.
A letra do frevo Madeira que Cupim não Rói
Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original
Não vem pra fazer barulho
Vem pra dizer e com satisfação
Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão
E se aqui estamos, cantando essa canção
Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos madeiras de lei que cupim não rói

Escute o frevo Madeira que Cupim Não Rói

Imagem de Elefante de Olinda
Imagem de Elefante de Olinda

Elefante de Olinda

O Clube Carnavalesco Misto Elefante foi criado a 12 de fevereiro de 1952, quando um grupo de rapazes saiu pelas ruas do centro histórico de Olinda, segurando um biscuí representando um elefante e cantando uma música improvisada.

Anos depois, o bloco foi organizado.

Sua música-tema, composta por Clídio Nigro e Clóvis Vieira, é uma das mais executadas no carnaval de Pernambuco e é considerada quase um hino de Olinda.

A letra do frevo Olinda nº. 2 – Hino do Elefantes de Olinda

Ao som dos clarins de Momo
O povo aclama com todo ardor
O Elefante exaltando a suas tradições
E também seu esplendor
Olinda esse meu canto
Foi inspirado em teu louvor
Entre confetes e serpentinas
Venho te oferecer
Com alegria o meu amor

Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval!

Escute o frevo Olinda nº 2

Pitombeira dos Quatro Cantos

Imagem de Pitombeira dos Quatro Cantos
Imagem de Pitombeira dos Quatro Cantos

Pitombeira dos Quatro Cantos

A Troça Carnavalesca Mista Pitombeira dos Quatro Cantos é uma das mais conhecidas e tradicionais agremiações do  carnaval de Olinda, Pernambuco.

Foi fundada no dia 17 de fevereiro de 1947, por um grupo de rapazes da rua do Amparo e dos Quatro Cantos, que saiu pelas ruas da cidade alta com os dorsos nús, empunhando galhos de pitombeira, uma árvore frutífera nordestina, cuja safra ocorre nos primeiros meses do ano.

De 1947 até 1949, os participantes da Troça não usavam fantasias. Em 1950, o grupo desfilou fantasiado pela primeira vez, vestidos de palhaços sem máscaras.

Seu estandarte, criado em 1953, é um losango, contendo no centro um trecho da rua Prudente de Morais, nos Quatro Cantos, em Olinda e dois cachos de pitomba nas laterais. As cores da Troça são o amarelo e o preto.

A letra do frevo – Hino de Pitombeira dos Quatro Cantos

Nós somos da Pitombeira
Não brincamos muito mal
Se a turma não saísse
Não havia carnaval      } bis
A turma da Pitombeira
Tem seus dedos em cada mão
E o P que tem na teste
Faz parte da confusão  } bis
Pitombeira só tem dez letras
E uma significação
Pitomba é fruta besta
Se compra com qualquer tostão   } bis
A turma da Pitombeira
Na cachaça é a maior
E o doce é sem igual
Como ponche é o ideal
Se a turma não saísse
Não havia carnaval
REFRÃO
Bate bate com doce
Eu também quero, eu também quero } bis

Escute o frevo Pitombeira dos Quatro Cantos

 

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